Os tumores que ocupam a cavidade orbitária podem ser divididos em 2 grupos:

1) Primários – Aqueles com origem dentro da órbita
2) Secundários – Aqueles com origem fora da órbita e posterior invasão deste espaço.

Estes tumores nascem do espaço intracraniano, da face, ou são metástases de tumores originados em outros órgãos do corpo.

Sinais e Sintomas

O sintoma mais freqüentemente observado é o exoftalmos (proptose), que consiste na projeção do globo ocular para frente. Uma assimetria entre ambos os olhos pode ser observada em maior ou menor grau, dependendo principalmente do tamanho do tumor. Outros sintomas mais comuns são: redução da acuidade visual (perda visual), diplopia (visão dupla), estrabismo, dor ocular, alterações na pupila, sensações subjetivas, ou os sintomas podem estar ausentes em alguns casos.

Exames

Os exames mais indicados para o diagnóstico dos tumores intraorbitários são a ressonância magnética de órbita e/ou a tomografia computadorizada de órbita.

Tipos Histológicos

Vários tipos de tumores podem ser encontrados no espaço orbitários, incluindo tumores benignos, intermediários e malignos.

Os mais freqüentes são:

1) Cavernoma (angioma, hemangioma cavernoso)
2) Meningeoma da bainha do nervo óptico
3) Meningeoma da asa do esfenóide
4) Glioma do nervo óptico
5) Linfoma
6) Sarcoma, rabdomiosarcoma
7) Carcinoma
8) Neurinoma (schwannoma)
9) Adenoma pleomórfico da glândula lacrimal
10) Osteoma
11) Metástases

Lesões expansivas inflamatórias ou infecciosas, como abscessos e mucoceles, também podem ser encontradas no espaço intraorbitário.

Tratamento

O tratamento cirúrgico está indicado na grande maioria dos casos, pois permite a ressecção destas lesões e o diagnóstico histológico. A remoção completa de tumores benignos leve geralmente a cura do paciente, e tratamentos complementares não são necessários.
Nos casos de tumores malignos, dependendo do tipo histológico, terapia adjuvante com radioterapia e/ou quimioterapia pode ser necessária.

Técnicas Cirúrgicas

A cirurgia é idealmente realizada com o auxílio do microscópio cirúrgico, sob monitorização neurofisiológica intra-operatória dos nervos cranianos e da forma mais minimamente invasiva possível.

A escolha do acesso depende da localização da lesão, do tamanho da mesma, da invasão ou não do espaço intracraniano e/ou da face.

Os acessos mais freqüentemente utilizados são:

1) Acesso sublabial
2) Acesso transconjuntival
3) Acesso via craniotomia ou orbitotomia (remoção de uma ou mais paredes da órbita, com posterior reconstrução)
4) Acesso sobre a sobrancelha
5) Acesso endoscópico nasal

Resultados Cirúrgicos

A órbita é uma cavidade com estruturas delicadas, como nervos que controlam os movimentos dos olhos, o nervo da visão, músculos, gordura, glândula lacrimal, artérias e veias.
O objetivo cirúrgico deve ser a ressecção do tumor com preservação de todas aquelas estruturas anatômicas da órbita.

Os resultados cirúrgicos dependem do tipo de tumor, da localização da lesão e da técnica cirúrgica empregada

Estas lesões devem ser preferencialmente realizadas por cirurgiões especialistas em órbita, com conhecimento profundo da anatomia da região, reduzindo assim o risco de lesões de estruturas neurovasculares, que poderiam acarretar distúrbios funcionais e estéticos importantes ao paciente.

Dr Andrei Koerbel